Processos Políticos de Uma Produção Audiovisual
Seja no estado, no mercado, ou nas relações dos colaboradores, a produção audiovisual é conduzida de acordo com o manejo político vigente.
Marcelo Júnior - Gerente de Projetos Institucionais
Tudo é político e por consequência contém política.
Não é diferente com o audiovisual. Toda produção, seja ela gigante ou modesta, nacional ou internacional, financiada por entidades privadas ou públicas, estará sempre sendo condicionada diretamente ao modelo político aplicado naquele contexto. Afinal, alguém precisa definir o quanto poderá ser gasto, outro definirá o que será gravado, outro o como será gravado, outro onde, e por aí vai. O que essas escolhas têm em comum, é que são todas escolhas políticas. Neste texto você entenderá um pouco sobre como o processo audiovisual é manejado politicamente em diferentes esferas.
Mini porta-bandeiras de EUA e China juntos / Foto: Reuters
No Mundo
No nosso planeta, o manejo com a produção audiovisual varia de acordo com o local da produção, seria impossível escrever abrangendo todo o planeta, por isso,é mais fácil observar algumas características através de recortes - locais, econômicos e/ou sociais. Usaremos como exemplo as duas maiores potências mundiais contemporâneas: EUA e China.
Não é novidade que a produção audiovisual é uma grande arma política, e os Estados Unidos da América sabem muito bem como usá-lá, através de diversas leis - sejam elas informais ou formais - o país do Tio Sam estimula o mercado audiovisual nacional, e dessa maneira exerce o famoso “soft power” no globo terrestre. Como exemplo a nível federal, a Seção 181 do Internal Revenue Code (26 U.S. Code § 181): É a principal legislação federal de incentivo, criada em 2004 e renovada periodicamente. Ela permite que produtores deduzam até 100% dos custos de produção (até um determinado limite, geralmente $15 milhões, ou $20 milhões em áreas economicamente deprimidas) no mesmo ano em que as despesas são incorridas, em vez de depreciá-las ao longo do tempo.
Já a China não fica para trás, através do seu enorme crescimento econômico recente, os chineses mapearam políticas de estímulo à produção audiovisual, reconhecendo que, sem uma política forte na área, pouco florescerá. Como a política Chinesa é fortemente atrelada ao Estado, suas leis também são assim. Segundo matéria da revista Fórum, a Administração Nacional de Rádio e Televisão (NRTA, na sigla em inglês) exige que todo conteúdo audiovisual seja submetido à aprovação antes da distribuição. O alto escalão do Departamento de Cinema do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) participa ativamente nas decisões nacionais sobre a produção audiovisual, inclusive decidindo o destino dos milhões que a China destina à esta atividade.
Bandeira do Brasil sendo projetada/ Arte: agendartecultura (UFBA)
No Brasil
Não é segredo que o Brasil ainda está muito atrasado no seu projeto de produção audiovisual interna, a ausência de políticas públicas sucateia o mercado nacional, e torna os profissionais da área reféns de instituições privadas (com interesses próprios e alheios ao lucro). No entanto, ainda existem alguns pontos à se destacar positivamente no nosso país.
A Lei Rouanet (Lei 8.313/91) de 1991 é centro de diversos debates, mas a verdade é que muito da nossa produção orgânica depende dela. Uma das novas aplicações da lei foi o lançamento do "Rouanet Festivais Audiovisuais", com R$ 17 milhões para impulsionar festivais de cinema em todo o Brasil.
O fato é que mesmo com suas dificuldades a produção nacional se supera, e tira “leite de pedra” quando o assunto é política pública. Segundo levantamento da Oxford Economics o Audiovisual Brasileiro movimentou R$70,2 bilhões e gerou mais de 600 mil empregos em 2024.
Na Locomotiva Jr.
Aqui na Locomotiva temos ciência da importância do manejo político na produção, e levamos isso sempre em conta antes de executar qualquer projeto.
Seja nas pequenas decisões políticas internas, ou nas relações externas que podem gerar políticas mais benéficas para a empresa, a Locomotiva sempre está buscando conduzir a política de acordo com seus ideais. Dentro da empresa, possuímos um espaço amplo, plural e democrático, levando em consideração diversas visões, mas com um limite intransponível: a ética. Aqui, o que vai ser enquadrado, o que não vai ser, quem vai aparecer na câmera, quem não vai, tudo isso é analisado no seu aspecto político.
Equipe da Locomotiva Jr. sendo premiada no evento do edital SPJOVEM
Por outro lado, nossa coletividade sempre está atenta a possíveis oportunidades que o estado fornece, mesmo que sejam poucas, elas existem. Um exemplo foi o edital “SP Jovem – Transformando Direitos em Inovação Social”, onde nossa empresa ficou entre as 11 finalistas, e garantiu fundos para nossos projetos, além de sermos convidados à uma cerimônia de premiação, expondo nossa marca, e credibilizando a mesma. Isso só foi possível porque a política pública apoiou a inovação e o cenário interno, mesmo que não sendo diretamente uma medida de apoio ao setor audiovisual, esse setor também foi beneficiado.
Em síntese, não reconhecer que todo o sistema audiovisual está interligado com as políticas do local onde se aplica, é agir com imprudência. Aqui na Locomotiva nós sabemos o peso das nossas decisões. E na nova gestão de 2026 vamos usar nosso poder político para auxiliar os que precisam.